Quando o autor coloca um ponto final no texto, uma nova história começa a ser contada.

É o momento em que a leitura vai além do ponto...

Inajá Martins de Almeida

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

COMO ESCREVER UM LIVRO - Ariel Rivadeneira

 "Um livro que não está escrito é como se faltasse aldo" 

Les Luthiers 

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A frase transcrita me chama atenção, do ponto de vista de que tenho muitos textos, poemas esparsos, em blogs, em cadernos e, ao mesmo tempo a edição não foi possível ainda, ou porque o valor não condiz com o esperado, os temas e assuntos me são particulares e pessoais, ou, até quem sabe, não me sinta encorajada à tal. Mesmo assim, a motivação me vem à miúde e os cadernos se tingem de tinta, assim como os blogs registram atividades que me são prazerosas - a escrita captura meu sentir e leio, e escrevo e capturo ideias de outros que me chegam.

O livro que o tenho em mãos, chegou-me em agosto de 2023, quando passeava pelo Shopping em Ribeirão Preto. Numa estante em que se dizia que levasse e deixasse livros se os quisesse, logo este me veio ao encontro e cá estou às voltas com ele.

Algumas palavras são encorajadoras:´- "para escrever não existem fórmulas... o que importa é o prazer de lidar com o texto". pág.7

O autor Ariel Rivadeneira, nascido em Buenos Aires é jornalista e mantém uma oficina de escrita criativa em Barcelona e a nós premia com esta sua primeira edição em língua brasileira.

À mim, vou pensar seriamente sobre a questão, a qual orienta colocar em duas colunas 

ESCREVER É UM ATO


 

Violento

 

Vazio

 

Trajeto mais para lá

 

 

 

ou

 

Exuberante

 

Realização

 

Trajeto mais para cá

 

 Bom... Passei a observar a questão e percebi que a escrita me é exuberante, uma realização pessoal, um trajeto que me leva a lugar longínquos, me realiza, melhora meus anseios, responde questões internas. 

Assim, mediante esse reencontro, passo a discorrer algumas das 100 perguntas e respostas propostas, aquelas que mais me chamaram atenção.

  • De onde vem a necessidade pela escrita? (1)

Uma frase, fragmentos de textos, um sonho, uma recordação.

Realmente a mim, todas essas orientações me dizem respeito. Escrevo motivada por imagens, por falas de outros e as linhas se agigantam, apenas não tenho tanta certeza do livro físico, mas, o virtual, os blogs me serve de estímulo e registro.

  • É preciso ter talento para escrever? (2)

O escritor se faz escrevendo, além de outras ferramentas, como estratégias, práticas, experiências, intuição.

  • É possível desenvolver a criatividade? (4)

O autor diz que sim, através da observação, do escrever diário.

  • Escrever textos autobiográficos é arriscado? (5) 

Selecione cenas que mais chamaram atenção: pessoas, lugares, recordações, etc, após, reordene a escrita para dar sentido à escrita. (Para mim este é o tema que mais me envolve e talvez o que mais eu dedique minha escrita. Meus textos são muito pessoais e dizem muito de mim).

  • Por que é difícil estruturar minhas ideias? (8)

Talvez pela falta de autoconfiança; por pensar que o texto não terá importância, dentre outros. (A maioria das vezes eu me enquadro a pensar sobre o porquê e para quem escrever... não deixa de ser autoconfiança mesmo, porque quem sabe a escrita possa alcançar outras pessoas, servir de inspiração até.)

  • Como saber se se escreve bem ou mal? (13)
Transcrevo: "Um texto é bom quando parece simples e espontâneo, sem deixar o leitor perceber o complexo trabalho de elaboração do escritor, e quando a voz narrativa resulta totalmente verossímil, incitando o leitor a ler outras vezes ou a indicar o livro... Também quando o leitor sente que a história parece real, fazendo-o identificar-se com o protagonista ou um dos personagens". pág. 29

Há livros que parecem que falam de nós. Personagens que se assemelham a nós e queremos adentrar a história e passar a escrever a nossa própria. Foi o caso de "O segredo da livraria de Paris", de Lili Graham, que despertou em mim o mesmo sentir da velha senhora do trem.

  • Por que se escreve? Escrever melhora a vida? (16)
 O autor se vale de vários escritores que esboçam o sentir literário e escrita, sendo que melhora sim a vida, "sendo sinônimo de ampliá-la, duplicá-la ... dar sentido estético".

  • Já não foi escrito tudo o que se poderia escrever? (20)

"A arte de escrever consiste em repetir o que já foi dito e fazer com que as pessoas acreditem que estão lendo pela primeira vez". Rémy Gourmont. Pode ser que tudo já tenha sido escrito, mas cada um de nós tem sua maneira de abordar o assunto, um olhar, palavras diferentes.

  • Para quem o escritor escreve? Ele deve pensar no leitor? (26)
"Escrever é ingressar em uma nova realidade... se escrever somente o que sua alma pede, não estará pensando no leitor".
 

em construção

   

 

      

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

RECONSTRUA SUA VIDA - Dale Galloway

 


"Um homem sempre tomará a decisão sábia quando recusar-se a fazer o jogo da culpa".





Cada pessoa tem suas experiências de vida. Suas crises, seus momentos de tensão de desespero, de desamparo, de dor e aí vai. 

Cada pessoa tem sua forma, sua maneira de encarar as adversidades; de superá-las ou não. É certo que também as tive, e confesso, ainda as tenho, e muitas, mas, a partir desta releitura, com mais experiência, mais razão e motivo para superar essas adversidades, sei que irei conseguir; sei que em algum momento, tudo ira passar e depois do vendaval, da tormenta, do mar revolto, a calmaria virá me encontrar.

No livro em sua releitura, nestes últimos dias de 2025, o autor nos convida a adentrar sua crise e nos dá a receita de como a superou e que o melhor ainda estava por vir.

 Em cada palavra, em cada capítulo podemos nos encontrar e nos irmanar às falas do autor, quando questões que, muitas das vezes a nós, parecem insolúveis, nos encontra, e que a chave está na promessa de que no mundo teríamos aflições, mas mediante nossa entrega a Jesus, o bom ânimo nos encontraria, sem dúvida. 

Em cada capítulo, o autor nos premia com metáforas, frases e reflexões que nos fazem perceber  que não lutamos sós, mas que tem um Ser Maior que estende as mãos para nos guiar e nos trazer a chave do entendimento.

O Capítulo I : "aceite aquilo que você não pode mudar"

Traz-nos a Oração da Serenidade 

"Deus, conceda-nos serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar... Coragem para mudar as que posso... e sabedoria para discernir a diferença".

Ademais, nos orienta a levantar e encarar o problema    




Maravilhosa leitura. Maravilhoso encontro entre autor e leitor. Todos deveriam ler, reler, fazer das palavras seu manual diário de esperança, perseverança e fé. 

 

Ademais, quando pensamos que já alcançamos muito, já lemos muito, o melhor ainda estaria por vir.

 

Este comentário eu o escreveria em maio de 2010 e o colocaria no blog Retalhos de Leituras, agora, nesta releitura os apontamentos se fazem adentrar minha percepção e avançar em entendimento e reflexão, em busca de abstrair subsídios para resolução das questões ainda em aberto em meu viver.

 

(em construção... )





comentários de Inajá Martins de Almeida

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domingo, 6 de julho de 2025

ALMAS GÊMEAS - releitura

canção de Fábio Júnior 

Por você, eu tenho feito e faço tudo o que puder

Pra que a vida seja mais alegre do que era antes
Tem algumas coisas que acontecem
Que é você quem tem que resolver
Acho graça quando, às vezes, louca
Você perde a pose e diz: Foi sem querer
Quantas vezes no seu canto em silêncio
Você busca o meu olhar
E me fala sem palavras que me ama
Tudo bem, tá tudo certo
De repente, você põe a mão por dentro
E arranca o mal pela raiz
Você sabe como me fazer feliz
Carne e unha, alma gêmea
Bate coração
As metades da laranja
Dois amantes, dois irmãos
Duas forças que se atraem
Sonho lindo de viver
Estou morrendo de vontade de você
Carne e unha, alma gêmea
Bate coração
As metades da laranja
Dois amantes, dois irmãos
Duas forças que se atraem
Sonho lindo de viver
Estou morrendo de vontade de você
Quantas vezes no seu canto em silêncio
Você busca o meu olhar
E me fala sem palavras que me ama
Tudo bem, tá tudo certo
Mas, de repente, você põe a mão por dentro
E arranca o mal pela raiz
Você sabe como me fazer feliz
Carne e unha, alma gêmea
Bate coração
As metades da laranja
Dois amantes, dois irmãos
Duas forças que se atraem
Sonho lindo de viver (de viver)
Tô morrendo de vontade de você
Carne e unha, alma gêmea
Bate coração
As metades da laranja
Dois amantes, dois irmãos
Duas forças que se atraem
Sonho lindo de viver
Tô morrendo de vontade de você
Bate coração
As metades da laranja
Dois amantes, dois irmãos
Duas forças que se atraem
Sonho lindo de viver
Tô morrendo de vontade de você
Carne e unha, alma gêmea
Bate coração
As metades da laranja
Dois amantes, dois irmãos...

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Desafio proposto entre os escritores da Casa dos Poetas de Ribeirão.
 Preto - ALMA GÊMEA

Diante deste desafio, passei a discorrer:

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Com o tempo, vamos pensando em nossas almas gêmeas: nossas metades da laranja, aquele sonho lindo de viver, possível quando, sem o perceber, nossa jornada esbarra com aquelas pessoas afins, que conseguem olhar através do nosso corpo físico e adentrar nossa alma.

Com o tempo passamos a entender o quanto almas gêmeas nos encontraram e nos fizeram viver, além de até dar-nos a vida; pais e todos os nossos antepassados.

Com o tempo, também, agregamos amigos, esbarramos em sentimentos, em convivências múltiplas e as afinidades vão se tornando metades que nos compõe.

E, com o tempo, entendemos que almas gêmeas são aqueles que nos despertam todos os dias e nos dão a dimensão do eterno em nós.

por Inajá Martins de Almeida


 

terça-feira, 1 de julho de 2025

PORTO SOLIDÃO


Navegando pela Solidão de Jessé

A música "Porto Solidão" interpretada por Jessé é uma verdadeira viagem pelas águas da introspecção e da melancolia. A letra utiliza metáforas:

·         Um veleiro para representar a jornada da vida e os sentimentos do eu lírico.

·         O ato de soprar o veleiro na palma da mão sugere um desejo de controle sobre o próprio destino, uma tentativa de guiar a vida em direção ao coração, ou seja, aos sentimentos mais verdadeiros e íntimos.

·         O coração é comparado ao mar, um lugar profundo que guarda segredos, versos perdidos e momentos que se foram com o tempo, como naufrágios que deixam vestígios no fundo da alma.

·         A repetição das palavras 'rimas', 'ventos' e 'velas' evoca a ideia de que a vida é feita de ciclos, de coisas que vêm e vão,

·         A solidão é o elemento constante que permanece, impactando o eu lírico de forma avassaladora, como as ondas que arremessam contra o cais. A solidão descrita na música é quase tangível,

·         O cais representa o ponto de encontro entre a imensidão dos sentimentos e a realidade concreta.

A música de Jessé, com sua melodia suave e ao mesmo tempo carregada de emoção, convida o ouvinte a refletir sobre a própria existência, as escolhas feitas e o peso da solidão que, por vezes, acompanha cada um de nós em nossa jornada pessoal.

fonte: https://www.letras.mus.br/jesse/46485/significado.html


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PORTO SOLIDÃO

Compositores: João Antonio Ginco / José Ramos Santos

 

Se um veleiro
Repousasse
Na palma da minha mão
Sopraria com sentimento
E deixaria seguir sempre
Rumo ao meu coração

Meu coração
A calma de um mar
Que guarda tamanhos segredos
Diversos naufragados
E sem tempo

Rimas de ventos e velas
Vida que vem e que vai      
A solidão que fica e entra
Me arremessando contra o cais


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AO SOM DE UM VELEIRO

 por Inajá Martins de Almeida


Quem dera controlar

O timão da existência.


Sentimentos,

Desejos do coração

Ao vento soltar.

 

Segredos ocultos

Que náufragos velejam:

Quem dera o mar

Pudera acalmar

 

Poeta fingidor

Versos sem rumo,

Solidão da rima

Se lança ao vento.


Horas fugazes,

Passageiras e incertas,

Repousam ao som de um veleiro

Que ruma ao vento

Enquanto rastros de sonhos

- Que se perderam ao velejar -

Transformam a existência

Na calmaria

 A qual somente o tempo

Pode alcançar.

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As notas tocadas ao piano, o silêncio, a lembrança de horas incertas, consigo trazem a inspiração para pequenos versos, a navegarem em águas mansas e claras.

Nem sempre pudera o veleiro ancorar num cais de calmaria. Nem sempre o coração pudera repousar num mar de águas mansas.

Segredos, que guarda o coração, aos poucos vão se perdendo pelo caminho da existência enquanto a solidão de náufragos momentos, se transforma em onda tranquila que ruma ao sabor do vento que suave sopra ao som da melodia que segue. 


quinta-feira, 2 de maio de 2024

O HOMEM A PROCURA DE SI - Rollo May

 "Quanto mais profundamente confrontarmos e sentirmos a riqueza acumulada da tradição histórica, tanto mais conheceremos e seremos nós mesmos... e, quanto mais a pessoa se aprofunda em sua própria experiência, mais originais são as reações e os resultados... Rollo May - "O homem a procura de si" (págs. 172/173) 

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O resgate dos meus apontamentos, podem me levar a encontros; decorridos anos, são eles que continuam a me escrever e escrevo.

Em junho de 2018, o livro em mãos dava-me subsídios para abstrair falas, quando após vários anos na confecção do "Álbum das Bandas de Araras", concluído sua edição em agosto de 2017, pude me ver envolvida com um passado que, embora não fosse diretamente ligado a mim, posto que a obra era de meu pai historiador, percebi que ao resgatá-la pude entender que 

"o homem é ao mesmo tempo herdeiro dos tempos passados e depositário da posteridade..." (idem pág. 214) 

ademais, 

"a memória não é apenas uma impressão do passado; é a guardiã de tudo o que é significativo em nossas mais profundas esperanças e temores... " (idem pág. 214) 

porque

"o homem não vive apenas no presente... e uma das características singulares do homem é poder colocar-se fora do presente e projetar-se no futuro ou então no passado..." (idem pág. 214) 

Aliás, a despeito da data, distante em seis anos, o retorno aos apontamentos me é por demais significativo, pois que muitos eventos foram agregados a partir do lançamento do Álbum - entrevistas, linhas do tempo, convites a participar de rodas de conversas, distribuição de exemplares à escolas, bibliotecas e pessoas ligadas a cultura e educação. Daí se pode perceber, retornando as linhas de Rollo May:

... "O passado tem significado quando o ilumina, e o futuro quando o torna mais rico e mais profundo..." (pág. 220)

Assim é que:

"... um acontecimento passado existe agora porque alguém está pensando nele no momento, ou está sendo por ele influenciado... (idem pág. 220) 

Além do que o livro - O homem à procura de si - sempre em mãos, as linhas grifadas, os apontamentos me são singulares, pois que posso perceber o quanto registrar o passado é importante para o resgate da memória e o Álbum das Bandas, por nós editados - Matilde e eu - pode me representar, muito embora, inicialmente escrito por meu pai, o historiador, agora ele me é parte integrante do seu legado. Uma herança que agora se torna patrimônio a ser preservado por mim, sua depositária.     

E o livro não se esgota. A leitura captura meu sentir pleno. Os apontamentos, os grifos requerem outras escritas pois que:

"Todo bom livro é uma obra de aperfeiçoamento pessoal, ajudando o leitor, que ali vê sua imagem e experiências projetadas, a estudar sob nova luz os seus problemas de integração - Rollo May - prefácio "O homem a procura de si". 


quinta-feira, 25 de abril de 2024

A MENINA DA VARANDA - Leo Cunha

Encontros nos são inesperados. Quantas vezes capturam-nos a mente, a alma e os sentidos e nos colocam tempo a refletir, a compartilhar, a compor outras linhas. Ademais, um título, por sua vez, pode percorrer os labirintos do ser e resgatar memórias incontidas, nos profundos calabouços da alma.

Quantas são as situações que nos colocam entre as meninas de branco, de rosa, as quais podem ser referenciadas por quem as vê, mas não legível para quem apenas observa quem fala - geralmente num leito de hospital,  em camas, quando quartos são transformados em palco para um porvir, apenas visível para quem está entre o limiar da transição; entre o real, que se pode perceber, e o invisível, um tanto quanto confuso e difuso para quem observa.

Daí, o texto vem ao encontro da nossa própria solidão, do abandono, dentro dos próprios lares, dos nossos mais queridos. A solidão da ausência, do abraço, da presença que se almeja, da compreensão que nem sempre é possível. Da fala que se cala no peito sem respaldo, sem diálogo. Da interrogação que procura resposta em vão.

Quantas Cecílias podem ser encontradas em apartamento luxuosos ou modestos, em casas, casebres, ou mesmo em quartos compartilhados com outras tantas personagens anônimas, que se abandonaram ou foram abandonadas pelas circunstâncias aquém do percurso.

Eis que "A menina da varanda" me ofusca os sentidos, captura-me pelo título, pela capa, pela mensagem, e, a partir de então, ainda que não tenha o livro em mãos, a internet me representa o encontro com áudios, releases, fotos e as quero presente neste espaço, quando minhas linhas podem percorrer o texto e alongar em nova fala, dentro do próprio contexto.    

Adentro algumas sinopses e as trago para minha composição: 



clique sobre a foto para ampliá-la
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Que surpresa uma janela pode revelar? Uma menina? Um anjo? Não importa. Com uma linguagem extremamente lírica, o autor expõe, em A menina da varanda, a solidão da velhice e uma forma pouco mostrada de abandono: a dos pais, após anos de dedicação aos filhos.

Quando os filhos não fazem mais companhia, os óculos não servem mais e a solidão passa a ser uma realidade, basta existir alguém para ouvir, mesmo que seja uma criança desconhecida, vista de relance, entre a correria da cidade. O jornalista Leo Cunha conta, em seu novo infantil A menina da varanda, uma história delicada, com vários ângulos e poucas certezas. Uma metáfora sensível sobre o tempo que passa, o tempo que falta e o tempo que nos resta. 

Leo Cunha apresenta o leitor a uma pianista aposentada que encontra um novo significado para a sua vida, ao estabelecer uma ligação virtual com uma menina desconhecida, moradora de um prédio em frente ao seu. Lá em cima, no décimo andar, a velha pianista só enxerga prédios e mais prédios da cidade imensa, e pra piorar, o inverno está chegando.

Mas tudo pode mudar quando a pianista descobre uma novidade no prédio em frente: a menina da varanda. A partir de agora, a pianista vê um alguém com quem conversar, contar suas histórias e desfiar suas lembranças. Uma pessoa para lhe fazer companhia enquanto seu próprio filho vive ocupado e mal acha tempo pra uma visita, um abraço.

Jornalista e professor universitário, Leo Cunha já publicou Suas obras receberam prêmios importantes, como o Nestlé, o João-de-Barro, o Jabuti, entre outros. Leo, que é também tradutor de vários livros infantis e juvenis, nasceu e mora em Minas Gerais, onde busca inspiração para a maioria de suas histórias e poemas. Casado, tem uma filha chamada Sofia, a quem dedica esta história. 


fonte: https://www.amazon.com.br/MENINA-VARANDA-Leo-Cunha/dp/8501055697

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E eis que me vejo, também, numa janela, quando parte da Rodovia Anhanguera demonstra movimento de carros, caminhões, enfim, de um trânsito ininterrupto no seu vai-e-vem constante. E penso o que uma janela pode me revelar eu que já estive num oitavo andar, a compor minhas solidões, minhas expectativas, meus sonhos, minha visão de passado - que a memória insiste em resgatar constantemente - num presente que se compõe e recompõe em reconstruções necessárias, neste segundo andar, deste condomínio que se apresenta promissor para criação de meus planos futuros, ao fitar o azul do céu, ou mesmo a lua cheia desta manhã, quando o registro se fez necessário, através da janela.

E, quantas vezes, a fala advém do cenário que se mantém todo aberto aos meus devaneios, às minhas pontes, pouco a pouco sendo reconstruídas, numa comunicação prazerosa, repleta de signos e significados para este outono que avança constante, ainda que seja apenas no imaginário de figuras fictícias que me vem servir de amigos, de ouvintes, muito embora a prima Matilde possa me fazer companhia constante - aliás, há anos somos parceiras em nossos trabalhos, em nossas conversas, razão pela qual a solidão, quantas vezes é dissipada, pois que podemos compactuar memórias familiares, passeios prazerosos, compromissos diários, o que nos torna menos solitárias, menos propensas aos amigos imaginários entre varandas; sim, agora temos uma varanda repleta de plantas, janela aberto ao horizonte.  


Logo ao raiar do dia, o magnífico espetáculo da lua a brilhar adentrando quarto, varanda, ao se deixar fotografar. 

Este é o momento em que da varanda do apartamento, uma nova perspectiva se abre toda a mim.  Os momentos me são propícios aos registros, os quais os quero aproveitar em sua plenitude.

Agradecer cada amanhecer. Agradecer cada olhar através da janela, por entre as grades sempre almejando a liberdade que somente o eterno nos pode proporcionar.

Este é um aparte que se faz necessário para que a menina, que há dentro de mim,  possa olhar através da varanda. 

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Por sua vez, o piano, ao lado, contrapõe as notas que soam em meio à solidão de ausências. Notícias que não chegam. Telefone que não toca. 

O computador, disposto na sequência, consegue atenuar ausências, saudades e sigo avante, compondo meus retalhos de existência que se prolonga em décadas, num espaço que procuro manter cada vez mais arejado, claro, vibrante de memórias, as quais, aos poucos posso dar novos coloridos, aos momentos sombrios que tentam afetar minha mente.

Assim é que, nesta manhã quente de outono, a menina da varanda pode me encontrar e tecer em mim memórias incontidas, de um quarto, que a cada dia tem se tornado mais familiar aos meus anseios. Além do que as manhãs, ao contemplar os prédios, os espaços abertos, recortados por plantas, a me fazer sentir numa vilazinha, ou mesmo numa praia, sem mar, o céu azul, as vozes que soam, trazem alento de que não se está só e é possível contemplar a beleza através da janela, ou mesmo alcançando a varanda.        

 

  



domingo, 22 de outubro de 2023

APRENDENDO FELICIDADE

 Será que felicidade se aprende? Eis a questão. 

Nesta manhã, ensolarada de domingo 22 de outubro de 2023, percorro minhas estantes de livros e retomo a leitura

"Aprendendo a felicidade: todas as tentativas de Platão ao Prozac" - Mark Kingwell


O livro foi encontrado num descarte em São Carlos  (agosto de 2016) e logo ocupou espaço dentro das nossas manhãs de leituras,  às nossas estantes, aos meus apontamentos.

Agora, decorrido o tempo, caderno de apontamentos em mãos, o dedilhar do computador, questiono o título, reflexiono, coloco meu ponto de vista, agrego outros autores e, em meio a tantos questionares, tento sana a questão: - Será que é possível aprender a ser feliz?   

Bom... De minha parte sempre procuro captar a mensagem do autor e colocar em prática o que me condiz, pois que, se "a vida humana é contar histórias e dar forma à narrativa da vida a partir das matérias primas da experiência, aspiração e contingência..." (pág. 13) posso também capturar imagens para o meu próprio escrever, e me permito o tal ofício da escrita.

 Ademais, professor de filosofia, Mark Kingwell se viu envolvido numa questão proposta por um aluno, o questionar a definição de felicidade.


terça-feira, 28 de setembro de 2010

LIVROS QUE ME LIVRAM

Sonho é para sonhar!
Vida é para vibrar !
Saúde é para saudar!
Trabalho é para trabalhar!
Liberdade é para libertar!
Livros para ler, para livrar !

por Elvio Antunes de Arruda

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Ah!
Livros que nos livram
quando podemos ir além do ponto
e encontrar entre livros
nossos sonhos.

Quando além do ponto
entre livros vibramos
saudamos nosso trabalho
libertamos das amarras nosso destino

E lemos livros
e livros escrevemos
porque
entre livros nos encontramos
entre livros nos amamos
entre livros nos tornamos
um só!

Inajá Martins de Almeida

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A PALAVRA

A palavra!
Somente a palavra
tem o poder de transformar
de pintar
de colorir
nossas emoções
nossas expressões.

A palavra!
Somente a palavra
tem o poder de dominar
de registrar
de encantar
de tocar
o mais profundo sentimento.

A palavra!
Somente a palavra...
Digo, contudo
que escrever não é fácil
mas, quando a palavra atinge a rocha
e faíscas são lançadas
aí sim, todo esforço valeu a pena!


Inajá Martins de Almeida

São Carlos - 04 de agosto de 2010

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

LEITURA

A leitura enriquece

a leitura enobrece

a leitura aparece

a leitura acontece

para o leitor acostumado

às artimanhas do texto.


A leitura empobrece

a leitura enrijece

a leitura desaparece

a leitura entristece

o leitor indolente

às tramas do texto.


A leitura segue seu rumo

livros se proliferam

livros, livros e mais livros

"livros à mão cheia"

a palavra se agiganta

o poeta grita e canta

leitura, minha grande ventura.




Inajá Martins de Almeida


domingo, 30 de maio de 2010

O livro sou eu


Entre livros nasci.
Entre livros me criei.
Entre livros me formei.
Entre livros me tornei.
Enquanto lia o livro,
lia-me, a mim, o livro.
Hoje não há como separar:
o livro sou eu...

(Inajá Martins de Almeida)


(Foto: Elvio Antunes de Arruda - março 2010- São Carlos)